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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Capítulo 5

Era escuridão, e então um ponto de luz que se abriu em uma flor em tons de roxo. Aos poucos essa flor foi se diluindo e se transformando na galáxia. Então a grande galáxia se torna um céu cheio de estrelas e a visão vai descendo até se poder ver a superfície do planeta.
Era uma região desértica, e no meio daquela “caatinga”, com o solo rachado e cactos esparsos, havia em destaque um mega palco onde o Foo Fighters se apresentando, isso ficava bem claro pelo enorme letreiro de neon com um “Foo” dourado separado do “Fighters” por um contorno de sol brilhante. Porém já não existe mais banda, palco, ou até mesmo planeta, apenas o céu completamente negro, onde o processo e reverteu. Novamente, estrelas, galáxia, cores em tons de roxo, e então a flor se fechando num ponto sobrando somente a escuridão.
Cócegas. Se espalhando a partir do dedão até tomar conta de todo corpo.
- HAHAHAHAHA... Que porra é essa?! – Exclamou George, num misto de surpresa, dor e risadas tentando ser suprimidas.
- É o míssil da polícia; “Arma de Efeito Psicodélico”. Acabei de checar na Cogudex. – Tentou explicar Rurko.
- Você sabe muito bem que eu também funciono em computadores de mão. Mesmo com a nave presa no depósito da polícia. – Completou Cogudex, piscando freneticamente sua pequena tela e com uma voz polifônica.
- E esse moleque aí? – Perguntou George enquanto se levantava, apontando para o que parecia ser Poncho coberto de poeira encostado em um barranco.
- Daqui a pouco ele vai acordar. Nossa cara eu tive um sonho, vou te contar, eu me atirava do 8º andar, a principio o céu estava azul com poucas nuvens, fui caindo e de repente notei diamantes, muitos diamantes ao meu redor, eles bruxuleavam uma luz que mudava de azul para verde e às vezes alternavam um roxo penetrante, cai, cai e cai o chão parecia nunca se aproximar,então olhei para trás o prédio já não era mais prédio agora era um homem marshmallow gigante que usava um chapeuzinho azul de marinheiro, ele balbucio alguma coisa próximo de ”Learn to Fly”, mas os diamantes se apagaram e tudo ficou escuro, um escuro denso e inquietante, mas por fim vi um letreiro brilhante nele estava escrito “Times Like These”, segui na estrada que levava ate ele. Quando cheguei nele acabou que eu me encontrava em um show do Foo Fighter.
- Foo Fighters... – Murmurou Poncho, surpreendendo todos por estar acordado.
- Também teve Foo Fighters no seu sonho? – Perguntou George.
-Teve. Mas eu tô falando daquilo ali. – Respondeu Poncho apontando para um pequeno show que acontecia ali perto.
Misteriosamente ninguém havia notado o show até que Poncho o houvesse mencionado, mas definitivamente estava acontecendo uma apresentação da banda ali perto. Porém o que o trio observava não era nada glamoroso como nas suas alucinações, a sua frente havia apenas um pequeno palco com poucos holofotes, e uma banda nada animada que parecia obrigada a tocar para um pequeno grupo de jovens com aparência um tanto quanto rebelde.
Tudo aquilo era tão deprimente, que Rurko se divertia com o Cogudex, apostando quantas vezes George conseguia reclamar da situação. Depois do Cogudex computar 72 suspiros, e a incrível marca de 100 “Eu deveria estar na casa da vovó”, o sistema de uma forma um tanto quanto afetada resolveu informar que eles estavam num planeta reformatório para jovens semi-rebeldes.
De fato, eles estavam no planeta Kosciuszko, que era um grande reformatório para jovens semi-rebeldes mandados de todas as partes da galáxia. O nome do planeta foi escolhido pelo primeiro grupo de pessoas enviado, ainda na época em que a Terra não estava completamente abandonada. O grupo era formado principalmente por fãs de bandas australianas semi-bem-sucedidas.
O trio começou a andar pelo meio da multidão (aquele negócio de ficar parado num barranco já estava deixando todo mundo de baixo astral), e algumas faces conhecidas começaram a surgir por ali.
Marcelo Preto, que odiosamente esperava pela apresentação de sua ex-banda, os Old Boys, que o havia expulsado alguns dias atrás. Os Old Boys iam lançar seu novo álbum com o single “Marcelo Doidão”, que continha o trecho:
Eu sou o Marcelo Preto,
Eu fumo um baseado,
Eu não tô nem aí
Hoje eu vou tocar pelado.
Eu sou o Marcelo Doidão!
YEAAAAH!”
A banda jurava que essa nova música não tinha nada a ver com o incidente que levou a expulsão de seu ex-vocalista. Mas qualquer um podia ver uma gravação do último show na internet, e dependendo da sua idade, poderia ver até o vídeo sem censura.
Perto do palco, revisando a setlist, estava John-Johns da banda os Caramelos de Godah, enquanto o baixista e vocalista, Mafu, e o baterista, Rin-Tin-Tin, faziam flexões pré-show e aqueciam a voz. Havia muito tempo que não os via tocar, mas ele tinha quase certeza que eles tocariam seu sucesso galáctico “Com Certeza”. Fato que gerou mais uma piada sem sucesso de Rurko, algo mais ou menos do tipo, “Com certeza eles vão tocar “Com certeza” então. Hahahaha...”. Como sempre, apenas Rurko caiu na gargalhada com seu senso de humor nada comum.
Poncho e Rurko ficaram conversando com um pianista primo de Poncho que estreia sua banda “Love Below”, parecia que o antigo nome, “Nós e a Turma”, não agradava a ninguém. Então Rurko percebeu que George havia sumido e foi procura-lo.
George havia se perdido no meio daquela multidão, e ele já começava a se deprimir com tantos rostos desconhecidos, nada daquilo parecia lhe agradar. Então o inesperado aconteceu.
Escuridão. Ponto de luz. Flor roxa. Galáxia. Estrelas. Sorriso.
Porém dessa vez não havia nenhum show, apenas uma garota. George ainda não sabia, mas aquela a sua frente era Alice, baterista da banda As Macorianas. Ainda um rosto desconhecido, mas dessa vez um que muito o agradava. O que a tornava tão singular? Seus cabelos pretos com pontas loiras? O chapéu de Pikachu que os cobria? Talvez fossem as bochechas? Sim, aquilo definitivamente era familiar, eram exatamente iguais as suas. Não importava, era uma garota singular e ele iria conhecê-la.
Respirou fundo. Deu um passo. “Comprimente ela, só isso.”. Outro passo. “Só tente não parecer idiota.”. Outro passo. “Tudo vai dar certo.” Mais um e... Rurko.
Quando menos esperava, Rurko surgiu gritando no meio da multidão.
- Onde você tava, cara? A gente tava te procurando por todo lado.
- Ah, eu tava por aí, procurando alguma coisa pra fazer.
- Então vamos encontrar o Poncho, temos que arranjar um lugar pra ficar.
George concordou com Rurko, mas ao sair, ele ainda olhou par trás só para constatar aquilo que imaginava, a garota não estava mais lá, apenas mais rostos desconhecidos e nada agradáveis para ele. Antes que pudesse pensar em qualquer outra coisa, Rurko o apressou e eles partiram atrás de Poncho.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Capítulo 4

A Valkyria estava parada em uma cratera de Titã. Poncho e George sincronizaram seus relógios prontos para iniciar o plano. Eles não sabiam exatamente para que isso, mas já que a coisa era pra valer...
Em suas mochilas havia todo tipo de coisa que compunha o inventário de soldados infiltrados durante a 2ª guerra mundial (pelo menos de acordo com jogos de estratégia de há muito tempo atrás): Maços de cigarro, corda, pás, alicate de arame, armadilha de urso, serra de laser versão mega-man, uniformes de cozinheiro e sonífero para cavalo.
O plano era encontrar um pedaço de cano de vácuo de transporte de lixo que estivesse desativado. Abrir esse cano com a serra de plástico. Seguir até a cozinha já dentro dos uniformes. Colocar o sonífero na comida. Despachar o Rurko adormecido em um cano de lixo para resgatá-lo depois já na cratera, após sair pela porta da frente com o desfarce de cozinheiros.
Os dois escalaram a borda da cratera em uma região onde a mineração de metano já fora abandonada. Os primeiros raios de sol já refletiam a imensidão dos anéis de saturno criando um jogo de luzes amarelas e brancas que bruxuleavam por uma reunião do Genesis. A atmosfera saturada de metano de Titã transformava tudo aquilo em uma experiência espectral tanto quando espiritual, e George e Poncho fizeram notas mentais de voltar ali em tempos mais calmos.
Tiraram as pás das mochilas e começaram a cavar até encontrar o cano. Para abri-lo usaram a serra de laser, (com belos e intrincados esquemas de espelhos e capacitores de fluxo que possibilitavam lasers a pilha, capazes de serrar árvores).
Após cortar um pedaço do cano e entortá-lo de modo que o lixo fosse desviado para a cratera, entraram nele rastejando e se desviando do lixo que já havia na cratera.
Dentro do cano, dois fachos de luz se encontram. George saca sua serra a laser e começa a choramingar enquanto Poncho, que estava atrás tenta voltar na malandragem. 
- E aí? - disse Rurko, meio sem jeito – O que você está fazendo aqui?
- O Poncho e eu viemos te buscar – George, guardando a serra a laser, aliviado.
- Poncho?
George olhou para trás e viu que seu amigo havia fugido.
- O Poncho é um frangão! - Rurko falou enquanto eles começavam a se arrastar de volta ao buraco aberto no cano.
Na borda da cratera não havia sinal de Poncho. Enquanto batiam a sujeira de seus trajes, George explicou o plano, terminado ao dizer:
- Era incrível, ao estilo commandos, mas você fugiu antes e estragou tudo.
Rurko respondeu com um sorriso melindroso e eles se dirigiram a nave.
Dentro dela encontraram Poncho largado em uma poltrona lendo uma hiperinteressante, sua revista favorita desde que era apenas super.
- E aí, galera? - disse Poncho num sobressalto
- Você fugiu – retrucou George, com um semblante de desgosto.
- Mas é a vida, cara... - Poncho, rapidamente mudando de assunto – e a sua fuga Rurko?
- Então...
Mas nesse momento soaram os alarmes da prisão e Rurko pulou na cadeira do piloto e ligou a nave para fugir. No impulso, George e Poncho foram arremessados ao fundo da nave, e nem perceberam o momento em que um míssil da polícia começou a se aproximar da nave um uma velocidade absurdamente apavorante.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Capítulo 3

George e Poncho estavam na parte da frente da Valkiria, desconsolados, enquanto as estrelas repousavam pouco visíveis na imensidão de preto e lilás onde a nave estava parada. Uma supernova havia explodido ali há algum tempo e a radiação resultante, embora não penetrasse na lataria da nave, a deixava invisível para os sensores das patrulhas da polícia. Um esconderijo ótimo porem sem nenhum sentido, já que Rurko havia sido preso e para as autoridades, estava tudo bem.
Poncho tentava ver a situação novamente e se perguntava como ajudar Rurko. A falta de solução aparente o levou ao que sempre fazia nessas situações, falar coisas óbvias:
-Ele está preso e nós estamos aqui, comendo danoninho. Nem carteira para pilotar essa nave nós temos. A essa altura ele já foi cooptado por uma gangue, estuprado, fez uma tatuagem e um novo corte de cabelo. - Poncho continuou nisso por algum tempo, até que George ligou a TV, pegando uma notícia pela metade.
...secção de curiosidades: Garoto é preso por não pagar a conta da lanchonete. O delito foi cometido num espaço porto da rota 3,14159265... 751058... . As autoridades o encontraram no banheiro, entalado na privada. No local, nosso VJ, Cachorrão.
É isso aí, macacada. O garoto ficou preso na privada, depois foi preso pela polícia. Parece que esse sujeito com cara de Barney testemunhou a parada toda. Segundo ele, foi algo transcendental, cerebral, emocional, etcetera e tal. O que, diretor? - Perguntou o VJ, enquanto apertava o ponto eletrônico no ouvido – Não! Eu larguei as drogas há muito tempo. Mas que merda. De volta ao estúdio, é com você, Coris Basoy.
O jovem foi levado para a lua prisional de Titã, na região das minas de metano.” - Nesse ponto, Poncho desliga a TV.
- Por que desligou? - Disse George tentando alcançar o fundo do pote de iogurte.
- Por que temos de resgatá-lo.
- Mas justo agora que vai passar Chaves?
- Ele está preso...
- Mas são reprises dos episódios novos do planeta Kepler.
- É... não é como se ele não fosse estar lá depois...
- Então liga, aí. - Disse George, antes de lamber a tampa do danoninho, deixando-o, por fim, largado em cima do painel da nave.Antes do prosseguimento da trama porem, um fato interessante: Foi constatado pelos sociólogos terrestres, logo após os comboios em fuga da terra se encontrarem com as outras civilizações humanoides da via láctea, que todas tinham seu próprios Chaves. Aparentemente, filmar o seriado Chaves é um passo fundamental em qualquer desenvolvimento, de qualquer cultura planetária. Ele se constitui na única constante cultural, pois é a única coisa que se repete em todos os planetas habitados. Muito se indagou sobre o assunto, mas poucas foram as conclusões, já que no fim, tudo o que se criou foram infinitas listas de discussão na internet, sobre qual o melhor Chaves já criado.
Alem disso, foi exibindo os diversos “Chaves” velhos como se fossem novos, para as diversas audiências, que a MTV se tornou a maior a maior emissora de TV da galáxia. Foi assim que desbancou a, hoje paupérrima CCTV de plêiades, cuja programação era baseada em novela, videocassetadas e o megasucesso, Siga Bem, Cosmonauta.
Depois de meia hora perdida, entre reprises de Chaves e vinhetas com planetas cercados de naves verdes que explodem em rosas e violetas multicoloridas, caindo suavemente sobre campos de grama cinzenta, onde texugos jogavam golfe formando enormes Ms, Ts e Vs, o sistema de bordo, Cogudex, grita assustado:
-Vocês sabem muito bem que tem de salvar o Rurko!
- Tudo bem, nós já temos um plano – Disse Poncho.
- Temos? - Perguntou George, com seu sorriso carismático.
-Vocês vão chamar o Bira? - Cogudex, ainda gritando, interrompendo Poncho, que ia começar a falar.
- Você sabe que o Bira está no nosso velho planeta. Provavelmente treinando alguma luta extremamente violenta – Disse Poncho pensativo.
- Ou esperando por aquela garota que disse: “Vou sair contigo, quando você for o último homem da terra!”. - George tinha testemunhado a cena e garantia que Bira, seu velho amigo da terra, tinha levado a coisa a serio.
Com risadinhas sarcásticas e piscando a tela nervosamente, o sistema de bordo direcionou a nave para Titã, onde sem que Poncho e George saibam, Rurko já armava seu plano para escapar.