Era escuridão, e então um ponto de luz que se abriu em uma flor em tons de roxo. Aos poucos essa flor foi se diluindo e se transformando na galáxia. Então a grande galáxia se torna um céu cheio de estrelas e a visão vai descendo até se poder ver a superfície do planeta.
Era uma região desértica, e no meio daquela “caatinga”, com o solo rachado e cactos esparsos, havia em destaque um mega palco onde o Foo Fighters se apresentando, isso ficava bem claro pelo enorme letreiro de neon com um “Foo” dourado separado do “Fighters” por um contorno de sol brilhante. Porém já não existe mais banda, palco, ou até mesmo planeta, apenas o céu completamente negro, onde o processo e reverteu. Novamente, estrelas, galáxia, cores em tons de roxo, e então a flor se fechando num ponto sobrando somente a escuridão.
Cócegas. Se espalhando a partir do dedão até tomar conta de todo corpo.
- HAHAHAHAHA... Que porra é essa?! – Exclamou George, num misto de surpresa, dor e risadas tentando ser suprimidas.
- É o míssil da polícia; “Arma de Efeito Psicodélico”. Acabei de checar na Cogudex. – Tentou explicar Rurko.
- Você sabe muito bem que eu também funciono em computadores de mão. Mesmo com a nave presa no depósito da polícia. – Completou Cogudex, piscando freneticamente sua pequena tela e com uma voz polifônica.
- E esse moleque aí? – Perguntou George enquanto se levantava, apontando para o que parecia ser Poncho coberto de poeira encostado em um barranco.
- Daqui a pouco ele vai acordar. Nossa cara eu tive um sonho, vou te contar, eu me atirava do 8º andar, a principio o céu estava azul com poucas nuvens, fui caindo e de repente notei diamantes, muitos diamantes ao meu redor, eles bruxuleavam uma luz que mudava de azul para verde e às vezes alternavam um roxo penetrante, cai, cai e cai o chão parecia nunca se aproximar,então olhei para trás o prédio já não era mais prédio agora era um homem marshmallow gigante que usava um chapeuzinho azul de marinheiro, ele balbucio alguma coisa próximo de ”Learn to Fly”, mas os diamantes se apagaram e tudo ficou escuro, um escuro denso e inquietante, mas por fim vi um letreiro brilhante nele estava escrito “Times Like These”, segui na estrada que levava ate ele. Quando cheguei nele acabou que eu me encontrava em um show do Foo Fighter.
- Foo Fighters... – Murmurou Poncho, surpreendendo todos por estar acordado.
- Também teve Foo Fighters no seu sonho? – Perguntou George.
-Teve. Mas eu tô falando daquilo ali. – Respondeu Poncho apontando para um pequeno show que acontecia ali perto.
Misteriosamente ninguém havia notado o show até que Poncho o houvesse mencionado, mas definitivamente estava acontecendo uma apresentação da banda ali perto. Porém o que o trio observava não era nada glamoroso como nas suas alucinações, a sua frente havia apenas um pequeno palco com poucos holofotes, e uma banda nada animada que parecia obrigada a tocar para um pequeno grupo de jovens com aparência um tanto quanto rebelde.
Tudo aquilo era tão deprimente, que Rurko se divertia com o Cogudex, apostando quantas vezes George conseguia reclamar da situação. Depois do Cogudex computar 72 suspiros, e a incrível marca de 100 “Eu deveria estar na casa da vovó”, o sistema de uma forma um tanto quanto afetada resolveu informar que eles estavam num planeta reformatório para jovens semi-rebeldes.
De fato, eles estavam no planeta Kosciuszko, que era um grande reformatório para jovens semi-rebeldes mandados de todas as partes da galáxia. O nome do planeta foi escolhido pelo primeiro grupo de pessoas enviado, ainda na época em que a Terra não estava completamente abandonada. O grupo era formado principalmente por fãs de bandas australianas semi-bem-sucedidas.
O trio começou a andar pelo meio da multidão (aquele negócio de ficar parado num barranco já estava deixando todo mundo de baixo astral), e algumas faces conhecidas começaram a surgir por ali.
Marcelo Preto, que odiosamente esperava pela apresentação de sua ex-banda, os Old Boys, que o havia expulsado alguns dias atrás. Os Old Boys iam lançar seu novo álbum com o single “Marcelo Doidão”, que continha o trecho:
“Eu sou o Marcelo Preto,
Eu fumo um baseado,
Eu não tô nem aí
Hoje eu vou tocar pelado.
Eu sou o Marcelo Doidão!
YEAAAAH!”
A banda jurava que essa nova música não tinha nada a ver com o incidente que levou a expulsão de seu ex-vocalista. Mas qualquer um podia ver uma gravação do último show na internet, e dependendo da sua idade, poderia ver até o vídeo sem censura.
Perto do palco, revisando a setlist, estava John-Johns da banda os Caramelos de Godah, enquanto o baixista e vocalista, Mafu, e o baterista, Rin-Tin-Tin, faziam flexões pré-show e aqueciam a voz. Havia muito tempo que não os via tocar, mas ele tinha quase certeza que eles tocariam seu sucesso galáctico “Com Certeza”. Fato que gerou mais uma piada sem sucesso de Rurko, algo mais ou menos do tipo, “Com certeza eles vão tocar “Com certeza” então. Hahahaha...”. Como sempre, apenas Rurko caiu na gargalhada com seu senso de humor nada comum.
Poncho e Rurko ficaram conversando com um pianista primo de Poncho que estreia sua banda “Love Below”, parecia que o antigo nome, “Nós e a Turma”, não agradava a ninguém. Então Rurko percebeu que George havia sumido e foi procura-lo.
George havia se perdido no meio daquela multidão, e ele já começava a se deprimir com tantos rostos desconhecidos, nada daquilo parecia lhe agradar. Então o inesperado aconteceu.
Escuridão. Ponto de luz. Flor roxa. Galáxia. Estrelas. Sorriso.
Porém dessa vez não havia nenhum show, apenas uma garota. George ainda não sabia, mas aquela a sua frente era Alice, baterista da banda As Macorianas. Ainda um rosto desconhecido, mas dessa vez um que muito o agradava. O que a tornava tão singular? Seus cabelos pretos com pontas loiras? O chapéu de Pikachu que os cobria? Talvez fossem as bochechas? Sim, aquilo definitivamente era familiar, eram exatamente iguais as suas. Não importava, era uma garota singular e ele iria conhecê-la.
Respirou fundo. Deu um passo. “Comprimente ela, só isso.”. Outro passo. “Só tente não parecer idiota.”. Outro passo. “Tudo vai dar certo.” Mais um e... Rurko.
Quando menos esperava, Rurko surgiu gritando no meio da multidão.
- Onde você tava, cara? A gente tava te procurando por todo lado.
- Ah, eu tava por aí, procurando alguma coisa pra fazer.
- Então vamos encontrar o Poncho, temos que arranjar um lugar pra ficar.
George concordou com Rurko, mas ao sair, ele ainda olhou par trás só para constatar aquilo que imaginava, a garota não estava mais lá, apenas mais rostos desconhecidos e nada agradáveis para ele. Antes que pudesse pensar em qualquer outra coisa, Rurko o apressou e eles partiram atrás de Poncho.
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